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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Docentes de Chicago entram em greve


Professores reivindicam aumento salarial de 30%


Os docentes das escolas públicas de Chicago (Illinois, norte dos Estados Unidos) iniciaram uma greve nesta segunda-feira, 10, pela primeira em 40 anos, por aumento salarial, um melhor sistema de avaliação e maior segurança no emprego.

"Nós não conseguimos alcançar um acordo que pudesse evitar a greve", explicou a presidente do sindicato dos professores da cidade (Chicago Teachers Union, CTU), Karen Lewis, em um comunicado.

A paralisação do trabalho envolve cerca de 25 mil professores e pode afetar cerca de 350 mil alunos, do pré-escolar até as turmas de ensino médio.

Os professores exigem um reajuste de 30% de seus salários em compensação à extensão da sua jornada de trabalho, mas no decorrer das negociações deram a entender que poderiam aceitar um aumento menor, em troca de um sistema de avaliação mais flexível.

Também pedem a adoção de um sistema de recontratação dos professores que permanecem desempregados após o fechamento das escolas em que ministravam aulas.

Banco do Brasil aumenta o financiamento estudantil em mais de 200%


Instituição alcançou o volume de R$ 7 bilhões em operações com o Fies

O Banco do Brasil (BB) informou nesta segunda-feira, 10, que atingiu o volume de R$ 7 bilhões em operações no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O dinheiro atende a mais de 200 mil estudantes de instituições privadas de ensino superior.

Ainda de acordo com o BB, dois terços do total das operações liberadas pelo banco até agora foram formalizadas durante 2012, desempenho que supera em 226% o resultado de 2011.
O Fies permite ao universitário financiar até 100% das mensalidades. Os juros são 3,4% ao ano, para todos os cursos, e o pagamento começa 18 meses após a formatura. Durante o curso, o estudante paga, a cada trimestre, o valor máximo de R$ 50, referente a juros incidente sobre o financiamento

edX promete cursos gratuitos na área de Humanas


Presidente da plataforma participou de bate-papo via Twitter com interessados

A poucos dias de começar a oferecer cursos online e gratuitos, o edX promoveu, via Twitter, um bate-papo entre seu presidente e interessados na plataforma. Com respostas curtas, Anant Argawal explicou o funcionamento das aulas e das ferramentas de avaliação que o edX usa e apontou tendências para a plataforma que reúne cursos gratuitos de Harvard, MIT e UC Berkeley.

Uma delas é uma ótima notícia para quem está de olho na iniciativa e não é muito fã de números: o edX vai oferecer cursos nas áreas de humanidades, negócios, medicina e direito. O professor, porém, não deu muitos detalhes de temas ou datas. A promessa “em breve” veio para falar de mais aulas de matemática e ciência básica. Por enquanto, os cursos disponíveis são mais relacionados a ciências e disciplinas da área de engenharia.
Argawal disse considerar que a plataforma está ajudando a transformar a educação ao oferecer um ambiente de aprendizado que inclui tecnologias de ponta que vêm impactando a forma como as pessoas aprendem, como os recursos de gamificação e de feedback instantâneo. E trouxe dados curiosos: disse que a maior parte dos vídeos dos cursos online são assistidos entre meia-noite e 2h.
Um tema recorrente nas perguntas foi sobre a concessão de certificados. De acordo com o professor, ao concluir as aulas, o aluno terá direito a um certificado que, por enquanto, será gratuito. Nos próximos semestres, pode ser que ele passe a ser cobrado. Argawal disse também esperar que o documento passe, cada vez mais, a ser aceito pelas universidades ao redor do mundo.
O primeiro dos sete cursos a serem oferecidos neste ano, Circuitos e Eletrônica, tem Argawal como um dos professores e começa em 5 de setembro. As inscrições ainda estão abertas. Confira, a seguir, algumas das perguntas e respostas do chat. Cada pergunta foi feita por um usuário diferente e as respostas foram dadas por Argawal pelo Twitter do edX.

Vocês já sabem quanto o certificado vai custar?
Os que começam no outono de 2012 não serão cobrados. Os futuros, pode ser...

Vocês veem o edX como um projeto de tecnologia ou de educação?
Os dois. O edX está promovendo uma mudança disruptiva na educação ao usar os avanços da computação e as tecnologias possibilitadas pela internet no aprendizado. O edX está inovando ao explorar formas de melhorar o aprendizado, por exemplo, com gamificação e feedback instantâneo.
O edX pensa em oferecer cursos de semestre inteiro ou de assuntos diferentes, como mecânica?
O edX está oferecendo vários cursos que duram o semestre inteiro. Além das disciplinas de ciência e engenharia, incluiremos outras de humanidades, negócios, medicina, direito etc.
Quanto os textos e os materiais dos cursos vão custar?
Estamos trabalhando com fornecedores que oferecem versões gratuitas de livros no edX. A editora Elsevier está trabalhando conosco. O interessante é que ela começou a vender mais depois que disponibilizou cópias gratuitas no edX.
Vocês têm planos de continuar com esse modelo de calendário fixo? No futuro, será possível fazer inscrição em qualquer época do ano?
O aluno pode trabalhar com o material dos cursos segundo seu próprio ritmo, mas há prazos semanais. Se você for como eu, o único jeito de as coisas funcionarem é com prazo! Alguns cursos não terão prazos até o último deadline. Por exemplo, o aluno poderá se inscrever no CS50 (Introdução à Ciência da Computação 1) até o dia marcado para terminar.

Eu conseguirei fazer amigos pelo edX? Eu vou conseguir entrar em contato com outros alunos?
Claro que você pode. O edX tem uma página do Facebook e também tem fóruns online em que os alunos podem formar comunidades.
Como os alunos estão usando cada vez mais smartphones ou tablets, vocês planejam lançar cursos que possam usar iOS, Android ou Windows app?
A maior parte do nosso material, como os vídeos, pode ser vistor por iPad. No entanto, o laboratório virtual do edX ainda não é adaptado para mobile.
Os créditos de cursos feitos online serão reconhecidos por instituições acadêmicas em seu processo de admissão?
Uma de nossas alunas conseguiu garantir créditos na universidade dela pelas aulas do edX. Nós acreditamos que isso vai acontecer com mais e mais frequência.
Temos que entregar trabalhos toda semana? Quem vai corrigir? São questões de múltipla escolha? Com que rapidez eu recebo a correção?
Todas as avaliações são corrigidas por computador. Você vê um sinalzinho verde se acertar a questão. Você tem várias chances de responder, ao contrário de uma sala de aula real. Há muitos tipos de questão, como equações e múltipla escolha.

Os certificados serão dados pelas universidades associadas?
Sim. Os certificados serão dados pelas Universidades X. Os cursos da Berkeley, por exemplo, vão dar certificados BerkeleyX.

Espero que vocês ofereçam mais aulas de ciência básica e matemática!
Você leu a minha mente. Nós vamos oferecer mais aulas de ciência e matemática em breve. Espero que esses cursos interessem a alunos do ensino médio que estejam se desafiando com cursos de nível AP (advanced placement).
É viável fazer dois cursos ao mesmo tempo?
Por que não? Cada curso vai exigir entre 10 horas e 15 horas por semana. Se você trabalha ou estuda em tempo integral, talvez seja melhor você focar em um curso só, a menos que você não durma muito.

Há vantagens do aprendizado on-line com relação às salas de aula tradicionais?
Sim, muitas. Você não pode pausar uma aula na sala tradicional. E se você quiser apertar o mute? O universo online permite.

Governo terá programa para garantir permanência de alunos cotistas nas universidades públicas


Estudantes poderão ser beneficiados com o pagamento de bolsas e auxílios especiais

O Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) preparam um pacote de medidas para assegurar a permanência de estudantes cotistas que ingressem nas universidades públicas e institutos federais, conforme a Lei de Cotas Sociais (12.711/2012) que destina 50% das vagas para estudantes oriundos de escolas públicas.

Os estudantes cotistas, com dificuldades de permanecer na universidade (por necessidade de trabalhar, dificuldade de deslocamento ou falta de recursos para comprar livros e instrumentos para fazer o curso) poderão ser beneficiados com o pagamento de bolsas e auxílios especiais. Os valores ainda não foram estabelecidos.
Além disso, o governo quer que as comunidades acadêmicas das universidades e dos institutos (que terão quatro anos para implantar progressivamente o percentual de reserva de vagas) estejam preparadas para receber os cotistas. De acordo com a lei, cada instituição deverá preencher as cotas com autodeclarados pretos, pardos e indígenas na mesma proporção populacional de cada estado.
Para o caso dos estudantes negros, uma ideia é criar centros de convivência negra (como o implantado na Universidade de Brasília (UnB), uma das primeiras a ter sistema de cotas no país). “Nós estamos trabalhando junto com o Ministério da Educação num grande programa que vai facilitar a permanência do estudante, não só a partir de auxílio permanência, mas também de adaptar a universidade para esse público”, destaca o secretário executivo da Seppir, Mário Lisboa Theodoro.
O cálculo do governo é que o número de alunos negros cotistas suba dos atuais 8,7 mil para 56 mil estudantes daqui a quatro anos. O crescimento terá grande efeito social, espera o governo. “Se é pela escolaridade que se abrem as portas do emprego, as desigualdades tendem a ser minoradas”, pondera a coordenadora-geral para Educação de Relações Étnica-Raciais do MEC, Ilma Fátima de Jesus.
Mário Theodoro espera, além do impacto social, um efeito “simbólico”. “Teremos profissionais negros de nível superior, gabaritados e em quantidade que não temos hoje. Vamos ter uma elite intelectual mais com a cara de todo o povo”, salientou.
Segundo o secretário, o governo também vai monitorar o desempenho acadêmico e o ingresso no mercado de trabalho dos cotistas formados. “Estamos verificando em alguns momentos e em situações pontuais estigmas com relação aos cotistas, o que é um absurdo. Nós vamos monitorar para saber se há algum problema no mercado de trabalho”, informou.
O MEC e a Seppir participam hoje (11) à noite, em Brasília, da audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, para discutir o mandado de segurança de autoria do Instituto de Advocacia Racial (Iara) e do pesquisador de gestão educacional Antônio Gomes da Costa Neto contra o parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) que liberou a adoção do livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato (escrito em 1933), no Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE).
A posição do governo é contrária à censura ou suspensão do livro. “Não se trata de vetar, mas indicar que precisa ser lido a partir da crítica”, salienta Ilma Fátima de Jesus, do MEC. Segundo ela, o PNBE não deve adotar nenhuma obra que coloque “a pessoa em situação vexatória”.
“É importante que essas obras sejam veiculadas porque fazem parte da história e Monteiro Lobato é uma figura importante. Vejo que têm que ser discutidas criticamente. Algumas passagens que hoje em dia ferem muito mais os ouvidos da sociedade brasileira do que feriam alguns anos atrás. Isso tem que ser contextualizado”, concordou Theodoro.
O advogado Humberto Adami, do Iara, também defende a contextualização e alerta para riscos de preconceitos. “Não se pode permitir que essas expressões racistas de outro momento entrem impunemente e reproduzam ou reinventem o racismo em sala de aula. Depois não adianta fazer campanha contra bullying na escola.”

Senado pode tornar desvio de verbas de educação e saúde em crime hediondo


Projeto de lei em discussão na Casa tem por objetivo tornar mais rígida a punição a atos de corrupção que envolvam recursos de áreas prioritárias


Os desvios de recursos nas áreas de educação e saúde poderão tornar-se crimes hediondos. É o que estabelece o projeto de lei do senador Lobão Filho (PMDB-MA), que obteve, nesta terça-feira, 11, parecer favorável da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). O projeto será ainda analisado, em decisão terminativa (sem precisar passar pelo plenário), pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
O projeto altera a Lei 8072/1990, que define os crimes considerados hediondos. Caso a proposição venha a converter-se em lei, passarão a ser considerados hediondos crimes de corrupção já previstos na Lei das Licitações (8666/1993), “quando a prática estiver relacionada a licitações, contratos, programas e ações nas áreas da saúde pública ou educação pública”. Os crimes hediondos são aqueles em que não há direito à anistia, graça, indulto ou fiança.
Durante a reunião, o relator da proposta, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), apresentou seu voto favorável. Ele observou que, além dos mecanismos de controle já existentes e da fiscalização para combater os desvios de recursos públicos, “cabe tornar a legislação ainda mais rígida, na tentativa de coibir essas práticas nefastas”.
Na exposição de motivos do projeto, Lobão Filho lembrou que, recentemente, o Departamento de Patrimônio e Probidade da Advocacia Geral da União (AGU) divulgou que cerca de 70% dos recursos públicos desviados no país são das áreas de educação e saúde.
A Controladoria Geral da União (CGU), segundo o senador, informou ainda que, entre 2007 e 2010, foram desviados, por prefeitos ou ex-prefeitos, R$ 662,2 milhões nesses dois setores. Essas verbas, como comentou Lobão Filho, seriam destinadas para a reforma de escolas e hospitais, compra de merenda escolar e remédios, e procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao concluir a votação, o presidente da comissão, senador Roberto Requião (PMDB-PR), anunciou o envio do projeto à CCJ. Em sua opinião, a matéria deverá ser analisada no âmbito da comissão especial que discute a proposta de reforma do Código Penal.

Paralisação termina em 33 federais


Em meio à divisão entre sindicatos dos docentes, mais da metade das 59 universidades desistiu da greve; definição pode surgir até 6ª-feira


O número de universidades federais que decidiram encerrar a greve dos professores, completamente ou em alguns câmpus, já chega a 33, segundo o Ministério da Educação (MEC). O número representa mais da metade das 59 instituições espalhadas pelo País.

Apenas na última semana, nove universidades resolveram pôr fim à paralisação iniciada em maio, segundo levantamento do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), a entidade de maior representação da categoria. 

Mesmo assim, no comunicado divulgado ontem, a entidade manteve a indicação de manutenção da greve, após centralizar as informações das assembleias dos sindicatos de docentes das 51 instituições filiadas. 

A nota aponta que pelo menos 12 universidades optaram pela manutenção da greve sem pretensão de saída unificada, em assembleias realizadas na última semana. São elas: as universidades federais do Amazonas, do Pará, do Piauí, da Paraíba, de Alagoas, do Tocantins, de Mato Grosso, de Viçosa, de Ouro Preto, do Paraná, de Pelotas e Federal Rural do Rio de Janeiro,

Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), a manutenção da greve foi aceita com uma pequena diferença de votos. "A gente fez uma assembleia com 460 professores e a continuidade da greve foi decidida por uma margem de 15 votos", afirma o presidente da associação dos professores da UFPR, Luis Allan Künzle. 

Saída coletiva. Uma nova rodada de assembleias gerais por todo o País deve ocorrer entre hoje e sexta-feira.

Segundo o comando nacional de greve, sediado em Brasília, 25 representações sindicais dos professores das instituições de ensino superior optaram por continuar paralisados, mas com pretensão de saída coletiva. A Universidade Federal Fluminense (UFF) é uma delas.

De acordo com a presidente da associação dos docentes da UFF, Eblin Faragem, a expectativa era de que o comando nacional decidisse pela saída unificada da greve especificando uma data. "O comando deliberou pela continuidade da greve, sem indicar uma data de suspensão", diz Eblin.

Segundo o MEC, o governo federal encerrou as negociações com os sindicatos dos docentes e com as outras categorias, pois a Lei Orçamentária Anual (LOA) foi encaminhada ao Congresso Nacional em 31 de agosto. O projeto de lei (PL 4368/2012) encaminhado ao Congresso pelo Ministério do Planejamento em agosto prevê um aumento entre 25% e 40%, além da redução do número de níveis de carreira de 17 para 13. O impacto no orçamento chega a R$ 4,2 bilhões. 

A adesão ao plano de reajuste salarial foi negada pelo Andes. Em sua contraproposta, a entidade abre mão do aumento salarial e dá preferência à reestruturação da carreira. Além disso, parte dos professores critica outros pontos no PL, como a avaliação externa dos professores e a não possibilidade de progressão de carreira dos docentes em estágio probatório.

Calendário. Na semana passada, três grandes universidades optaram pelo fim da greve: as federais de Minas Gerais, de Pernambuco e da Bahia. Engrossam a lista as universidades de Brasília, as federais do Rio Grande do Sul, do Ceará e do Rio de Janeiro.

As aulas já foram retomadas ontem na Universidade Federal do ABC (UFABC) e na federal do Ceará (UFC). Na UFC, o calendário acadêmico já foi estabelecido. O primeiro semestre letivo de 2012 finaliza no dia 29 de setembro. O segundo semestre começa em outubro e vai até 28 de fevereiro de 2013. Segundo o MEC, maioria das universidades que já saíram da greve tem previsão de retorno no próximo dia 17. / COLABOROU LAURIBERTO BRAGA, ESPECIAL PARA O ESTADO

Dilma dá ministério a Marta e abre vaga no Senado para atrair apoio a Haddad


Cargo na pasta da Cultura é anunciado dias após ex-prefeita abandonar boicote e entrar na campanha de candidato do PT


BRASÍLIA/SÃO PAULO - Duas semanas após entrar na campanha de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) ganhou um cargo no governo. Ela será a nova ministra da Cultura, substituindo Ana de Hollanda, que caiu após enfrentar longo processo de desgaste na Esplanada. Com a engenharia política, a presidente Dilma Rousseff pretende levar importante ala do PR, que hoje apoia o candidato do PSDB, José Serra, para a campanha de Haddad.
A decisão de demitir Ana de Hollanda já estava tomada, mas a ideia inicial de Dilma era fazer a troca depois das eleições, no ano que vem, junto com a planejada reforma da equipe. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a convenceu, porém, de que o melhor momento para a entrada de Marta no ministério era agora. Não sem motivo: quem assume sua cadeira no Senado é o vereador Antonio Carlos Rodrigues, suplente e dirigente do PR.
Apesar de integrar a base aliada de Dilma, o PR decidiu se coligar com Serra em represália à perda do Ministério dos Transportes, no rastro da "faxina" promovida pela presidente no ano passado. O plano de Lula e do comitê petista, agora, é desestabilizar a candidatura de Serra, deslocando uma ala do PR para Haddad. A expectativa dos petistas é que o PR faça "corpo mole" no apoio ao tucano.
Marta e Haddad negaram na terça-feira, 11, qualquer tipo de barganha política. "O convite é meio surpreendente, mas eu sou do governo e estou à disposição", afirmou a nova ministra. "Com a presidenta Dilma não tem toma lá dá cá. Quem a conhece sabe que isso não é do feitio dela. Se (a troca) tivesse algo a ver com minha campanha, teria sido feita muito antes", disse o candidato do PT. A posse de Marta está marcada para quinta-feira, às 11 horas.
Ex-ministra do Turismo no segundo mandato de Lula e ex-prefeita de São Paulo (2001 a 2004), Marta nunca gostou do Legislativo e sempre desejou retornar ao governo. Ela queria ser novamente candidata a prefeita e, por imposição de Lula, foi obrigada a desistir para ceder a vaga a Haddad, no ano passado. Depois de excluída, boicotou a campanha do PT por quase dez meses.
No comando do Ministério da Cultura, Marta entra na fila dos pré-candidatos do PT ao governo de São Paulo, em 2014. Nessa empreitada, seu maior adversário no partido é o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que também mira o Palácio dos Bandeirantes.
Mal estar. O PT quer explorar agora o mal-estar do PR com tucanos, provocado pela propaganda de Serra, que jogou luz sobre o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal. O deputado Valdemar Costa Neto, que presidiu o PR, é réu no processo.
Para assumir a vaga de Marta, Antonio Carlos Rodrigues terá de se licenciar da Câmara Municipal. Rodrigues concorre à reeleição como vereador e tem ótimo relacionamento com o PT. "Nunca escondi de ninguém que tenho amigos no PT. Eu me elegi presidente da Câmara Municipal com os votos dos petistas", afirmou Rodrigues, numa referência ao período em que comandou a Casa, de 2007 a 2010.
Mesmo assim, o vereador disse que não vai abandonar Serra. "Seria muito estranho só o PR de São Paulo apoiar o PT", comentou. Apesar dos desmentidos oficiais, porém, o comando da campanha de Haddad conta com o racha na dobradinha PSDB-PR.